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As doenças que ainda matam

Há um mito moderno: "os cães vacinados de hoje não ficam mais doentes de cinomose ou parvovirose". Falso. As doenças ainda existem, e na Itália todos os anos milhares de cães morrem por doenças preveníveis com vacinação.

Os motivos:

  • Filhotes sem vacinação.
  • Cães adultos com reforços faltando.
  • Criações irregulares.
  • Movimentos internacionais (cães importados).

Conhecer o calendário vacinal é essencial para a sobrevivência do seu cão.

As 4 vacinas "core" (obrigatórias segundo a WSAVA)

WSAVA (World Small Animal Veterinary Association) classifica as vacinas em três categorias:

  • Core: essenciais para cada cão.
  • Non-core: opcionais dependendo do estilo de vida.
  • Não recomendados: raros, casos específicos.

As 4 vacinas core para todos os cães:

1. Cinomose (CDV)

Doença: vírus mortal que atinge o sistema respiratório, gastrointestinal e nervoso.

Mortalidade: alta, especialmente em filhotes (50-90%).

Sintomas: febre, secreções nasais e oculares, vômito, diarreia, convulsões no estágio avançado.

Difusão: ainda presente na Itália.

2. Parvovirose (CPV)

Doença: vírus gastrointestinal violento.

Mortalidade: alta em filhotes (40-80%).

Sintomas: vômito repentino, diarreia com sangue, desidratação rápida, morte em 24-72 horas.

Particularidades: o vírus sobrevive no ambiente por meses (solo, objetos). Mesmo cães que ficam dentro de casa podem se infectar.

3. Hepatite Infecciosa (HCC / CAV-1)

Doença: vírus que afeta o fígado, olhos, rins.

Mortalidade: variável.

Sintomas: febre, fraqueza, icterícia, "olho azul" (edema de córnea).

4. Raiva

Doença: vírus neurológico sempre mortal uma vez desenvolvido.

Zoonose: transmissível ao ser humano.

Obrigação legal:

  • Na Itália: obrigatória para cães que entram/saem do país.
  • Movimentos na UE: passaporte com vacina contra raiva em dia é obrigatório.
  • Algumas regiões: sempre obrigatória.

O calendário básico

6-8 semanas (primeira vacinação):

  • Filhote recebe vacinação "primer" (cinomose, parvo, hepatite).
  • Frequentemente feita pelo criador antes da entrega.

8-10 semanas:

  • Primeiro reforço + leptospirose (em áreas endêmicas).

12 semanas:

  • Segundo reforço + raiva.

16 semanas:

  • Terceiro reforço (para completar a imunidade).

6-12 meses:

  • Primeiro reforço anual.

Adulto:

  • Reforços segundo protocolo (veja abaixo).

Os reforços: anualmente ou a cada 3 anos?

Historicamente, reforços anualmente. Hoje, a WSAVA recomenda:

Vacinas core (cinomose, parvo, hepatite):

  • A cada 3 anos em cães adultos.
  • Título de anticorpos (exame de sangue) para verificar se a imunidade ainda está ativa.

Vacinas non-core (leptospirose, tosse de canil, leishmaniose):

  • Anuais.
  • Duração da imunidade mais curta.

Raiva:

  • Trienal (em alguns países, anual para cães de exposição).

As vacinas "non-core"

A serem avaliadas com base no estilo de vida:

Leptospirose:

  • Para cães que bebem/brincam em poças d'água, riachos.
  • Áreas com presença de ratos (vetores).
  • Anual.

Tosse de canil (para-influenza + Bordetella):

  • Para cães que frequentam hotéis, parques, agilidade.
  • Anual.

Leishmaniose:

  • Para cães no centro-sul da Itália (áreas endêmicas).
  • Combinado com repelentes antiparasitários.
  • Anual.

Borrelia (Lyme):

  • Para cães em áreas com carrapatos endêmicos (Friuli, Trentino, algumas áreas alpinas).
  • Anual.

Coronavírus canino:

  • Geralmente não recomendado (imunidade da doença muito branda).

Quando NÃO vacinar

Situações em que adiar:

  • Cão com febre ou com doença aguda.
  • Cão sob tratamento com cortisona (imunossuprimido).
  • Cão grávida.
  • Cão muito estressado (pós-trauma).

Nesses casos: aguarde a resolução, depois vacine.

Os riscos das vacinações

Efeitos colaterais leves (comuns):

  • Letargia 24-48 horas.
  • Leve febre.
  • Redução do apetite por um curto período.
  • Inchaço no local da injeção.

Efeitos colaterais raros (graves):

  • Reações alérgicas (urticária, anaphylaxia).
  • Sarcoma vacinal (extremamente raro em cães).
  • Reações autoimunes.

Risco real de não vacinar: muito mais alto do que o risco da própria vacinação.

Os custos

Vacinações primárias (filhote):

  • 3 sessões: 150-250 € no total.
  • Inclui consulta, vacina, microchip.

Anuais:

  • Consulta + reforços: 50-100 €/ano.

Título de anticorpos (alternativa aos reforços obrigatórios):

  • 60-120 € por exame.
  • Mede níveis de anticorpos, decide se é necessário reforço.

O cartão de vacina

Documento essencial:

  • Todas as vacinações com datas e lotes.
  • Consultas veterinárias.
  • Microchip.

Guarde sempre o original. Cópia para:

  • Viagens.
  • Hotéis.
  • Inscrições em cursos de adestramento.

Passaporte europeu:

  • Obrigatório para viagens na UE.
  • Inclui raiva.
  • Emitido pelo veterinário.

Os mitos a desmistificar

Mito 1: "Cães que ficam dentro de casa não precisam de vacinações".
Falso: os vírus se transmitem através de sapatos, objetos, breves saídas.

Mito 2: "As vacinas causam autismo em cães".
Falso: nenhuma evidência científica. Apenas um movimento antivacina humano transposto.

Mito 3: "As vacinas duram para sempre".
Falso: algumas sim (raiva com dose trienal), outras não (tosse de canil).

Mito 4: "Mais vacinas juntas são perigosas".
Falso: vacinas multivalentes são seguras e padrão.

Mito 5: "Uma única vacinação inicial é suficiente".
Falso: são necessárias pelo menos 3 sessões primárias para imunidade completa.

A verdade

As vacinações transformaram a medicina veterinária nos últimos 50 anos. Cães que há 50 anos morriam aos milhares por cinomose e parvovirose agora vivem vidas longas.

Não vacinar é uma escolha:

  • Egoísta (risco a todos os cães que você encontra).
  • Perigosa (para o seu cão).
  • Às vezes ilegal (movimentos).

Vacinar corretamente é:

  • Uma das decisões mais importantes para a saúde do seu cão.
  • Custo baixo (50-100 €/ano).
  • Um investimento de vida.

Discuta com seu veterinário o melhor protocolo para o seu cão. Mas não pule. Nunca.

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